SeaArt AI Novel
APP
Home  / A Maldição
A Maldição

A Maldição

Last Updated: 2026-03-28 11:42:18
Language:  Português0+
4.6
19 Rating
12
Chapters
55.8k
Popularity
6.8k
Total Words
Read
+ Add to Library
Share:
Report

Synopsis

A cada três gera??es, a família de Aria envia três mulheres à Mans?o Thornfield como pagamento de uma dívida antiga: três vidas para quitar a maldi??o imposta por Lucian, um ser de beleza impossível e natureza desconhecida. Aria chegou certa de poder resistir. Lucian está igualmente certo de que ela n?o consegue. Entre paredes que respiram e segredos que sangram, a mais jovem da linhagem descobre que algumas maldi??es n?o s?o correntes — s?o escolhas.


Chapter1

Chegamos à Mansão Thornfield no primeiro dia do outono, quando a luz morre cedo e permanece morta.

Minha avó foi a primeira. Vivienne, aos sessenta e três anos, ainda ostentava aquela beleza profunda, gravada nos ossos, que a idade não consegue tocar. Ela cruzou os portões de ferro sem hesitar, como se estivesse apenas atendendo a um convite esperado. Talvez estivesse. Afinal, a carta fora endereçada a ela; o restante de nós éramos meros acompanhantes.

Minha mãe veio logo atrás. Eleanor, quarenta e dois anos, com as mãos retorcendo a alça da bolsa em gestos que sugeriam ora uma prece, ora um estrangulamento. Ela não parava de olhar para trás, para o carro, para o motorista que se recusava a encará-la e para a estrada que nos afastava daquele lugar.

Eu fui a última. Aria. Dezenove anos. Jovem o suficiente para ainda acreditar que portas trancadas podem ser abertas pelo lado de dentro.

A mansão era feita de pedra cinzenta e hera moribunda, com janelas que pareciam olhos fechados. Já pertencera à nossa família, disse minha avó. Antes da maldição. Antes de Lucian.

— Quem é Lucian? — perguntei no carro.

— O homem que agora é nosso dono — respondeu minha avó.

Minha mãe soltou um som entalado. Quase uma risada. Quase um soluço.

As portas se abriram antes mesmo de chegarmos a elas. Não havia ninguém ali. Apenas a escuridão e o cheiro de rosas deixadas tempo demais em água parada.

Entramos.

O saguão era mármore e poeira. Um lustre pendia torto, com cristais faltando como dentes arrancados. Nossos passos ecoavam de um jeito errado, como se a casa fosse maior por dentro do que por fora, como se o espaço ali não seguisse as regras comuns.

— Bem-vindas ao lar.

A voz vinha de todos os lugares. Das paredes, do chão, do próprio ar.

Então, ele apareceu no topo da escadaria.

Lucian.

Eu esperava um monstro. Esperava algo que desse sentido ao terror nos olhos da minha mãe e à resignação nos de minha avó.

Em vez disso, vi beleza.

Ele aparentava ter uns trinta anos. Cabelos escuros, pele pálida e olhos da cor de águas profundas. Vestia roupas que não pertenciam a nenhuma era que eu soubesse nomear; eram elegantes, mas ligeiramente estranhas. Botões demais. Um tecido que se movia como líquido.

Ele desceu as escadas. Cada passo era deliberado. Quando nos alcançou, sorriu.

— Vivienne. Faz tanto tempo. — Ele pegou a mão da minha avó e a beijou. — Você continua adorável como sempre.

— Lucian. — A voz da minha avó estava firme. — Minha filha Eleanor. Minha neta Aria. Conforme o combinado.

— Sim. Três gerações. Três chaves. A maldição pode finalmente terminar. — Lucian voltou-se para minha mãe. — Eleanor. Eu a vi crescer de longe. Você tem os olhos da sua mãe.

Minha mãe não disse nada. Apenas ficou paralisada, olhando fixamente.

Então, Lucian olhou para mim. O sorriso dele se alargou.

— E Aria. A mais jovem. A peça final. — Ele estendeu a mão para a minha.

Eu recuei.

— Não toque em mim.

— Aria — repreendeu minha avó, ríspida.

— Está tudo bem. — Lucian baixou a mão. — Ela ainda não entende. Elas nunca entendem, de início. — Ele gesticulou em direção às escadas. — Seus quartos estão preparados. Descansem. Jantaremos às oito. E então explicarei tudo.

Ele desapareceu. Não se afastou caminhando. Simplesmente sumiu. Estava ali em um momento e, no seguinte, não mais.

Olhei para minha avó.

— O que ele é?

— O preço que nossa família paga — disse ela. — A cada três gerações. Três mulheres. Três vidas. Até que a dívida seja quitada.

— Que dívida?

Minha avó já subia as escadas. Minha mãe a seguiu como uma sonâmbula.

Fiquei sozinha no saguão, ouvindo a casa respirar.

Em algum lugar acima, um relógio bateu cinco vezes. Mas eram apenas três da tarde.

O tempo, eu logo aprenderia, funcionava de forma diferente ali.

Ratings and Reviews

Most Liked
New

You Might Also Like

No Recommendations

No recommendations right now—check back later!