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A FILHA DA TEMPESTADE

A FILHA DA TEMPESTADE

Last Updated: 2026-03-29 11:42:13
By: 月見草
Completed
Language:  Português0+
4.8
30 Rating
12
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4.7k
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Synopsis

Para escapar da gaiola dourada e dos punhos cruéis de meu noivo, fugi. Me atirei à misericórdia do mar, trocando um futuro de miséria certa por uma chance mínima de liberdade. Mas o mar n?o é um santuário. Ele me livrou de um monstro e me entregou às m?os de outro: o Capit?o Cain Blackthorn, o pirata mais temido dos sete mares. Ele n?o me via como uma dama, mas como um bem a ser resgatado por dinheiro. Para me salvar, fiz um pacto com o diabo: minhas habilidades como navegadora em troca de um lugar em sua tripula??o. Minha vida tornou-se um teste — provar meu valor ou ser jogada aos tubar?es. Mas enquanto aprendia a lutar, a comandar os ventos, a me tornar outra pessoa nesse mundo de sangue e sal, vi um lampejo de algo diferente nos olhos cor de tempestade do capit?o. Ele me prometeu sobrevivência. Mas qual será o pre?o de sua prote??o? E o que acontece quando o pirata que detém minha vida é o único homem que já me fez sentir livre?


Chapter1

Uma semana.

Evelyn Harlowe encarava o próprio reflexo no espelho enquanto contava os dias que faltavam para o seu casamento. Mais sete amanheceres. Mais sete chances de acordar e descobrir que tudo aquilo não passava de um pesadelo.

Mas os hematomas em suas costelas eram bem reais. O lábio cortado que ela havia escondido sob camadas de pó era real. O medo que fazia suas mãos tremerem enquanto a criada apertava o seu espartilho era devastadoramente real.

— Mais apertado — ordenou Evelyn, sentindo as barbatanas de baleia afundarem contra a pele já castigada das costelas.

— Senhorita, a senhora mal consegue respirar assim...

— Mais apertado.

A dor era preferível ao pensamento. A dor a mantinha focada.

A porta do quarto se abriu sem que ninguém batesse. Sarah, a criada de Evelyn, fez uma reverência imediata e fugiu do recinto. Menina esperta; ela aprendera rápido que Lorde Roderick Ashville não gostava de testemunhas.

— Querida — disse Roderick, com uma voz doce como mel. — Você está adorável esta manhã.

Evelyn virou-se, afastando-se do espelho com o rosto transformado em uma máscara de polidez.

— Obrigada, milorde. Eu estava apenas me preparando para a prova do vestido.

— Sobre isso. — Roderick atravessou o quarto. Evelyn lutou contra cada instinto que berrava para que ela recuasse. — Minha mãe quer mudar o desenho novamente. Algo sobre a renda não ser francesa o suficiente.

— Como queira. O que for da preferência de Lady Ashville.

— Você é tão compreensiva, Evelyn. É uma das coisas que mais amo em você. — A mão de Roderick subiu, ostensivamente para prender uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. Seus dedos se fecharam com força, puxando o couro cabeludo com intensidade suficiente para fazê-la arquejar de dor. — Embora eu me pergunte, às vezes, se você é realmente tão dócil quanto finge ser.

— Não compreendo o que quer dizer, milorde.

— Não compreende? — Ele soltou o cabelo dela e caminhou até a escrivaninha, pegando o livro que ela havia deixado ali. Era um romance, algo leve e frívolo. Ele o folheou distraidamente e então arrancou uma página. Depois outra. — Encontrei seu verdadeiro material de leitura ontem. Escondido sob o colchão. Você se lembra do que era?

O coração de Evelyn afundou.

— Milorde...

— Um tratado sobre navegação. Cartas marítimas. Leituras nada apropriadas para uma futura viscondessa. — Roderick rasgou mais uma página, deixando os pedaços caírem ao chão. — Onde você sequer conseguiu essas coisas?

— Meu pai era um oficial naval. Ele me ensinou a ler cartas antes de morrer. Eu guardava os livros dele como lembrança...

— Seu pai está morto. Sua mãe está morta. Você não tem ninguém além de mim. — A voz de Roderick endureceu. — E eu não permitirei que minha esposa me envergonhe com interesses peculiares. Depois de casados, espero que você se concentre em atividades adequadas. Bordado. Aquarela. A contabilidade da casa, se precisar ocupar a mente.

Ele agarrou o pulso dela, o aperto forte o bastante para deixar marcas.

— Fui claro?

— Sim, milorde.

— Ótimo. — Ele a soltou e sorriu como se nada tivesse acontecido. — Vejo você no jantar. Use o vestido azul. Ele a favorece.

Depois que ele saiu, Evelyn desabou na cama, observando as páginas rasgadas espalhadas pelo chão. Os livros de seu pai. Os últimos pedaços dele que ainda lhe restavam. Destruídos porque Roderick não tolerava que ela tivesse nada que fosse apenas seu.

Mais sete dias. Então ela seria legalmente dele, permanentemente. Ele teria controle total. Poderia trancafiá-la, espancá-la, fazer o que bem entendesse sem qualquer consequência.

A menos que ela não permitisse que chegasse a esse ponto.

Evelyn vinha planejando sua fuga há três meses, desde que a máscara de Roderick caíra pela primeira vez e ela vislumbrara o monstro por trás dela. Estivera economizando moedas e roubando pequenos objetos de valor que não fariam falta imediata. Tinha o suficiente para pagar uma passagem para as colônias, talvez até um pequeno capital para começar uma vida nova.

Ela esperara pelo momento certo. Esperara que as coisas melhorassem, que Roderick mudasse, que os amigos de sua família notassem algo e interviessem.

Mas ninguém viria salvá-la.

Portanto, ela salvaria a si mesma.

Naquela noite, Evelyn esperou até que toda a casa estivesse mergulhada no sono. Vestiu seu traje mais simples, um que não atrairia o olhar dos servos. Colocou as joias roubadas em uma pequena bolsa. Deixou um bilhete alegando que fora chamada às pressas para cuidar de uma tia doente.

No momento em que alguém percebesse que ela realmente partira, ela já estaria no meio do Atlântico.

Evelyn desceu pela janela, usando a treliça que seu pai instalara anos atrás para que ela pudesse escapar e observar as estrelas. Ao atingir o solo, ela começou a correr e não olhou para trás.

A estrada para Plymouth tinha doze milhas. Ela percorreu o trajeto em quatro horas, chegando às docas exatamente quando a aurora despontava. Encontrou um navio partindo para a Jamaica, pagou a passagem com um de seus anéis roubados e embarcou sob o nome de Mary Smith.

O Lady Anne içou velas com a maré da manhã.

Evelyn permaneceu junto à amurada, observando a Inglaterra encolher na distância. Viu sua antiga vida desaparecer em meio à névoa.

Ela estava livre.

Por três dias gloriosos, ela foi livre.

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