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A Luna Sem Lobo

A Luna Sem Lobo

Letzte Aktualisierung: 2026-07-10 09:47:35
By: CrimsonDaoist
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Sprache:  Português4+
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Zusammenfassung

Durante seis anos, ela foi uma ninguém — uma serva ômega obrigada a se ajoelhar. Maltratada e destroçada, seu único segredo era a tempestade que rugia dentro dela. Em um grande banquete, enquanto ela se ajoelhava em humilhação, Ele chegou. O Alfa Supremo Dominic Hawthorne não viu uma serva; ele viu uma rainha acorrentada.


Ele rasgou seu contrato, destruiu seu passado e revelou a verdade: ela é a última herdeira do reino perdido de Stormhold, uma linhagem de manipuladoras de tempestades. Caçada pelo tirano que destruiu sua família e traída por seus antigos senhores, ela precisa aprender a controlar seus poderes sob a proteção de Dominic.


A menina que um dia se ajoelhou agora aprende a comandar os raios. Com a coroa na cabeça, ela enfrentará seus inimigos, e desta vez, ela será aquela que nunca mais se ajoelhará.


Kapitel1

A bandeja chocou-se contra o chão antes mesmo que Seraphina visse o que a atingira.

Em um instante ela a carregava — cheia de taças de prata polidas até brilharem como espelhos — e, no seguinte, o cotovelo de Celeste atingia suas costelas. Foi um empurrão treinado, casual, que pareceria um acidente para quem olhasse do ângulo certo. As taças tilintaram pelo piso de pedra, rolando para debaixo das mesas e se alojando nas frestas entre os ladrilhos.

Os joelhos de Seraphina atingiram o chão antes que ela emitisse qualquer som. Aquilo também era puro instinto. Seis anos em Greyhaven a ensinaram que cair era mais rápido do que lutar, e que o silêncio era a única coisa que a mantinha respirando.

— Ora, veja só o que você fez — disse Celeste, com a voz doce e pegajosa de falsa preocupação.

Ela nem sequer olhou para a bagunça. Seus olhos, do mesmo verde-claro que os da mãe, permaneceram fixos na porta por onde os servos deveriam passar invisíveis.

— É a terceira vez este mês. Está tentando nos envergonhar antes da chegada do Alfa Supremo?

Seraphina manteve a cabeça baixa. Seus dedos encontraram a taça mais próxima, ainda morna do pano de polimento. Não ergueu os olhos. Nunca erguia.

— Eu não toquei nela — disse ela, com a voz baixa e sem emoção. O tom de quem já repetira aquelas palavras tantas vezes que elas perderam todo o peso.

— Não? — Celeste riu. Atrás dela, Brielle deu um passo à frente, o salto de seu sapato estalando contra a pedra. — Está dizendo que minha irmã está mentindo? Sobre você?

Aquele era o limite. A provocação que fez o maxilar de Seraphina travar, embora ela soubesse que não devia reagir. Todos em Greyhaven sabiam: Celeste Blackwell mentia por esporte, por diversão, pelo mero prazer de ver alguém menor se contorcer. Mas "mentir sobre você" implicava que valia a pena mentir a seu respeito. E Seraphina Vale não era nada.

Era a serva sem marca de matilha. Sem um odor de lobo que alguém pudesse identificar. A ômega que não era ômega de verdade, pois até os ômegas tinham um lugar. Não tinha nada. Sem família. Sem história. Apenas um nome que Victor anotara em uma escala de trabalho seis anos atrás e nunca se dera ao trabalho de apagar.

— Vou limpar tudo — disse Seraphina, sem vacilar na voz. Ela também aprendera aquilo. — Antes que os convidados cheguem.

A sombra de Brielle a cobriu.

— Vai limpar de joelhos. O papai disse que o chão precisa ser esfregado de qualquer maneira. A cera ficou manchada desde a semana passada, e é óbvio que alguém aqui não sabe fazer o serviço direito.

Os dedos de Seraphina se fecharam com força ao redor da taça. Apenas por um segundo. Depois, ela os relaxou, um a um.

Aqui não. Agora não.

Dentro do seu peito, algo se moveu. Uma pressão surda e insistente, como o instante que antecede o trovão. Tempest. Sua loba. A criatura que não deveria existir em uma ômega sem lobo. O ser que andava despertando com mais frequência ultimamente, arranhando as paredes de suas costelas sempre que ela sentia o controle vacilar.

Elas estão provocando de novo, disse Tempest. Não exatamente com palavras — era mais um rosnado que ganhava forma em sua mente. Deixe-me sair. Só uma vez.

Não. A resposta de Seraphina foi imediata, automática. Você sabe o que acontece.

Nós quebramos alguma coisa. Ou alguém.

Exatamente.

Mas a pressão não cedeu. Ficou ali, encolhida, à espreita. Tempest costumava ser mais calma nos primeiros anos — um sussurro distante que Seraphina quase conseguia atribuir ao cansaço, à fome ou ao desejo desesperado por algo mais. Ultimamente, porém, o sussurro virara rugido. Especialmente quando as irmãs Blackwell estavam por perto. Especialmente quando a tocavam. Especialmente quando...

A mão de Brielle agarrou o pulso de Seraphina, puxando-a para cima.

— Eu disse de joelhos, não sentada. Esqueceu como se escuta?

Seraphina deixou-se puxar. Seus joelhos rasparam na pedra áspera ao mudar de posição, as mãos ainda segurando a taça. O frio do piso atravessou o tecido fino de suas calças. Ela recebera aquele uniforme quando chegou: cinza, sem corte, feito para camuflar-se no ambiente. Ainda servia, por muito pouco. Perdera peso nos últimos meses, não por falta de comida, mas porque começara a pular refeições. Era mais fácil correr quando se era leve.

— Olhe para ela — disse Celeste, falando para o corredor vazio como se estivesse diante de um público. — Seis anos e ainda se encolhe como um vira-lata. Qualquer um acharia que ela já teria aprendido o lugar dela.

Brielle soltou o pulso de Seraphina com um movimento brusco dos dedos, como se aquela pele a tivesse sujado.

— Alguns cachorros nunca aprendem. É por isso que são sacrificados.

Seraphina não respondeu. Apenas recolheu as taças restantes, empilhando-as na bandeja com precisão mecânica. Suas mãos não tremeram. Nunca tremiam. Aquela era a única coisa sob seu controle.

Pela janela ao fundo do corredor, ela conseguia ver o céu. Escuro. Pesado. Um tom de cinza que prometia chuva antes do anoitecer. O tempo vinha se armando a tarde toda, pressionando o vale como uma tampa. Ela sentia aquilo nos ossos desde o amanhecer: a eletricidade estática no ar, o vento mudando de direção sem qualquer padrão.

A tempestade sabia que ela estava ali. Não sabia como tinha aquela certeza, mas tinha. O clima a perseguia havia anos. Não todas as tempestades, nem sempre. Mas, quando a pressão interna ficava insuportável, o céu respondia. Pequenas coisas, no geral. Uma lufada de vento que batia uma porta. Uma corrente de ar que apagava as velas. Nada que pudessem associar a ela. Nada que...

— Você não está ouvindo. — A voz de Celeste cortou seus pensamentos. Ela se aproximou o suficiente para que Seraphina sentisse seu perfume: rosas e algo metálico, como moedas velhas. — Eu perguntei se vai se ajoelhar no salão principal ou se vou ter que pedir ao papai para lembrá-la do que acontece com servos que desobedecem às ordens.

Aquilo era novidade. O salão principal seria o palco do banquete de boas-vindas. O Alfa Supremo de todo o território do Norte viria a Greyhaven pela primeira vez em décadas. Todos os nobres que viviam a até um dia de viagem de distância haviam sido convidados. A mansão fora limpa de cima a baixo. E queriam que ela — a ômega sem loba, a vira-lata sem nome — ficasse de joelhos diante de todos.

— Por quê? — A palavra escapou antes que pudesse evitar. Mal passou de um sussurro, mas Celeste ouviu.

O sorriso dela se alargou.

— Porque papai disse que não dá para confiar que você vai ficar escondida. E porque quero ver a sua cara quando o Alfa Supremo passar por você como se você fosse um móvel qualquer.

Seraphina sentiu a pressão disparar. Um estalo quente e agudo no peito, como um fio esticado prestes a romper. Tempest forçou a passagem, não com um rosnado desta vez, mas com algo parecido a um grito.

*Deixe-me —*

*Não.*

*Ele está vindo. Aquele com a tempestade no sangue. Consigo senti-lo.*

A respiração de Seraphina travou. Forçou-se a focar no chão, nas taças, em qualquer coisa que não fosse a estranha certeza elétrica que de repente se instalara sob suas costelas. Não sabia o que Tempest queria dizer. Não queria saber. Quanto menos compreendesse sobre si mesma, mais segura estaria.

Mas a pressão não cedeu. Continuou ali, vibrando, como se algo lá fora a estivesse chamando.

Celeste continuava a falar. Dizia algo sobre a reputação do Alfa Supremo, sobre como Dominicic Hawthorne nunca escolhera uma Luna, e como os boatos de assassinatos e expurgos nas fronteiras não passavam de demonstrações de "liderança firme". Seraphina deixou que as palavras passassem direto por ela. Aprendera a filtrar quase tudo o que as Blackwell diziam. Eram apenas ruído. Ruído de fundo. A única coisa que importava era passar pela noite sem que ninguém percebesse o que ela realmente era.

Mas Tempest não se aquietava.

*Ele está perto. Muito perto. Consigo sentir o cheiro dele — fumaça, pedra e —*

*Pare.*

*— e algo mais. Algo parecido conosco.*

A mão de Seraphina escorregou. Uma das taças escorregou da bandeja e atingiu o chão, com um tilintar que ecoou pelo corredor.

O riso de Celeste foi agudo, estridente.

— Viu? Nem você consegue manter as mãos firmes. Vá logo. Siga para o salão principal. Papai quer você a postos antes que a primeira carruagem chegue. E não se atreva a deixar ninguém ver o seu rosto.

Ela deu meia-volta e se afastou, seguida por Brielle, que exibia um sorriso de deboche satisfeito. O clique dos saltos sumiu ao dobrarem o corredor, deixando Seraphina sozinha com as taças espalhadas e o peso crescente da tempestade lá fora.

Ela não se moveu por um longo tempo. Ficou ali ajoelhada, com os joelhos esfolados, as mãos ainda apertando a bandeja, escutando o silêncio.

Então, devagar, permitiu-se respirar.

O ar em seus pulmões parecia denso. Carregado. A janela no fim do corredor vibrou uma vez, depois outra. Um galho do velho carvalho lá fora raspou contra o vidro e, por um segundo, o reflexo na vidraça mostrou algo que não deveria estar ali — um clarão azul-prateado, como um relâmpago aprisionado em um frasco.

Seraphina fechou os olhos.

*Você precisa ficar quieta*, mentalizou para Tempest. *Se eles descobrirem —*

*Eu sei.* A voz em sua mente soava mais calma, mas não menos intensa. *Mas ele já está aqui. O companheiro. Consigo senti-lo. E está vindo para cá.*

As palavras a atingiram como um golpe. *Companheiro?*

*Eu não tinha dito antes?* O tom de Tempest era quase de divertimento. *Aquele com a tempestade no sangue. Aquele que anda com a imponência de quem é dono do próprio chão. Ele é o nosso par, Sera. O nosso —*

*Não.* Os olhos de Seraphina se abriram de golpe. *Nós não temos um companheiro. Eu não tenho nada. Sou apenas uma serva.*

*Você sabe que isso não é verdade.*

*Eu sei o que me mantém viva.*

Forçou-se a levantar. Recolheu as taças em segundos — anos de prática a tornaram rápida, eficiente, invisível. Apoiou a bandeja sob o braço e caminhou em direção ao salão principal, com passos firmes e sem pressa. Se Victor queria que ela se ajoelhasse, ela se ajoelharia. Era mais seguro do que fugir. Mais seguro do que se esconder. Mais seguro do que...

As portas principais se abriram antes que ela alcançasse o salão.

Ouviu antes de ver — o cascalho estalando, o murmúrio baixo de vozes, o pisar pesado de botas nos degraus de pedra. Uma carruagem preta e reluzente, puxada por quatro cavalos cor da meia-noite. E então, um homem desembarcou.

Seraphina não viu o rosto dele de imediato. Viu a sua presença. Ele preencheu o vão da porta como uma força da natureza: ombros largos, cabelos escuros, o sobretudo ainda úmido pelos respingos da fonte do pátio. Seus olhos varreram o salão com a autoridade natural de quem nunca na vida recebera ordens de olhar para baixo.

E então, os olhos dele a encontraram.

Ele não parou. Não apontou. Apenas olhou para ela — ajoelhada no canto, de cabeça baixa, as mãos apoiadas sobre a bandeja, feito parte da decoração —, e, por uma fração de segundo, algo mudou em sua expressão.

Um vislumbre de algo. Reconhecimento? Surpresa? Seraphina não soube dizer, pois desviou os olhos no instante em que sentiu aquele impacto.

Mas Tempest não desviou.

*Companheiro.*

A palavra a golpeou, quente e afiada, fazendo com que todo o corpo de Seraphina enrijecesse. A janela atrás dela trincou, uma rachadura fina que correu de uma ponta a outra do vidro. O som foi suave, quase se perdendo no murmúrio da multidão que se reunira para receber o Alfa Supremo.

Mas ela ouviu. E soube, com uma certeza que nada tinha a ver com a razão, que a tempestade lá fora acabara de responder a algo no fundo do seu peito.

Manteve a cabeça baixa. Não ousou erguer os olhos novamente.

No entanto, o homem — Dominicic Hawthorne, Alfa Supremo do Norte — já havia interrompido os passos. Estava parado no meio do salão, cercado por nobres que se curvavam e servos atordoados, e seu olhar estava fixo na serva no canto, com a janela trincada logo atrás dela.

A pressão no peito de Seraphina não diminuiu. Aumentou.

E ela soube, com uma certeza desanimadora, que aquela noite mudaria tudo.

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