O Impasse do Quebra-Gelo: Um Conto de Hóquei nas Férias
Zusammenfassung
Na universidade dominada por lobisomens, a humana Elara só quer sobreviver. Um acidente a joga contra Kian Sterling, o futuro Alfa que a humilhou. Por uma ironia do destino, ela se torna a babá de seu filho secreto, forçada a entrar em seu perigoso e opulento mundo.
Ele é seu maior medo, mas se torna seu único protetor. Enquanto o bullying e as intrigas familiares se desenrolam, a ternura sob a fachada de gelo é revelada. Neste jogo de caçador e caça, ela será apenas mais uma conquista ou ganhará seu coração e o respeito de todo um mundo?
Kapitel1
Estou atrasada, estou atrasada, estou atrasada.
As palavras ecoam em loop na minha mente caótica, igual àquele maldito coelho da Alice no País das Maravilhas. E, para ser sincera, quase acredito estar mesmo perseguindo um enquanto corro a toda velocidade pelo corredor do prédio principal da Universidade de Kenton. Meus tênis rangem no chão polido. O som bate nas paredes de pedra, uma arquitetura de gente rica e antiga que exala um legado de lobisomens em cada canto meticulosamente esculpido.
Eu não devia ter confiado no meu despertador. Não devia ter achado que hoje seria diferente dos outros cem dias que passei tentando ficar invisível numa faculdade onde humanos como eu são, basicamente, presas.
O corredor se estende à minha frente e já consigo sentir aquele cheiro. Aquele aroma específico que me avisa que estou totalmente ferrada. Pinho e geada de inverno, com um toque de algo selvagem. Lobo. E não um lobo qualquer.
Sterling.
Tento parar. Juro que tento. Mas a inércia é uma merda, e meu cérebro com TDAH não levou a física em consideração quando resolveu virar a esquina a toda velocidade.
Bato com tudo numa coisa que parece uma parede de concreto com formato de gente.
O impacto tira todo o ar dos meus pulmões. Meus livros voam pelo chão numa explosão catastrófica de papéis e marcadores, e eu começo a cair, cair...
Mãos firmes agarram meus cotovelos. O toque queima através do meu suéter fino como ferro em brasa, e eu puxo o ar com força.
Ergo o rosto.
Olhos prateados encontram os meus. Não prateado no sentido figurado, mas um prateado real, contornado por aquele azul-gelo assustador que o marca como o predador no topo da cadeia alimentar. Um Alfa. O tipo de lobo que faz os outros rolarem no chão e exporem a garganta.
Kian Sterling.
Capitão do time de hóquei Ice Kings. Futuro Alfa da Matilha Silvermoon. A verdadeira realeza do campus em carne e osso, embrulhada em um metro e noventa de músculos perfeitamente esculpidos e pura arrogância.
E eu acabei de colidir com ele feito um trem desgovernado.
— Eu... — Minha voz sai estrangulada. — Me desculpe. Eu estava perseguindo um coelho.
As palavras escapam antes que o cérebro consiga acompanhar a boca. Genial, Elara. Muito discreta.
Ele ergue uma sobrancelha escura. Suas mãos continuam nos meus cotovelos, e sinto o lobo dele, consigo perceber isso me observando por trás daqueles olhos azul-prateados. Avaliando. Julgando.
Meus dedos encontram meu polegar, e começo a raspar a unha nele. Um hábito antigo. Um péssimo hábito. A única coisa que me mantém ancorada quando o mundo vira de cabeça para baixo.
— Um coelho. — A voz dele é grave, suave como um uísque caro, e igualmente perigosa. — No prédio acadêmico.
Não é uma pergunta. É um deboche disfarçado de educação, e sinto meu rosto queimar.
— Eu... — Tento falar, mas uma voz familiar corta a tensão.
— Elara! — O grito de Maya ecoa no fim do corredor, e nunca fiquei tão grata por ouvir a voz da minha melhor amiga.
O olhar de Kian desvia para ela, e algo muda em sua expressão.
— Aquele é o coelho que você estava perseguindo?
Eu me solto do seu aperto. Suas mãos caem, mas ainda sinto o calor do seu toque na minha pele. A sensação fantasma me dá vontade de esfregar os braços, mas me contenho. Não vou dar a ele essa satisfação.
— Com licença — murmuro, me abaixando para juntar meus livros e papéis espalhados.
— Kian! Ronan! — Gritinhos agudos perfuram o ar. As groupies de hóquei chegaram, um bando de garotas que seguem os irmãos Sterling como adoradoras devotas no altar da genética Alfa.
Encaro a distração pelo que ela é: um presente de qualquer divindade que cuide de humanos desastrados em território de lobisomens.
Mas, antes que eu consiga fugir, Kian se aproxima. Sinto-o logo atrás de mim, sinto o peso da sua presença como uma mão pressionada contra a minha espinha.
Ele diz o meu nome.
— Elara.
O jeito como a palavra escorrega da sua língua, como se ele a estivesse provando, testando, faz algo apertar no meu peito. Odeio perceber isso. Odeio que alguma parte traidora do meu cérebro catalogue a leve rouquidão, a promessa sombria entrelaçada naquelas sílabas.
Pego os últimos papéis e me levanto, apertando os livros contra o peito como um escudo.
— Não devia estar correndo atrás do seu coelho... — Ele faz uma pausa, e seus lábios se curvam em algo que não chega a ser um sorriso. — Elara?
Encaro seus olhos por um segundo a mais do que deveria. Tempo suficiente para ver a diversão cruel estampada neles. Suficiente para me lembrar exatamente de quem e do que ele é.
O irmão Sterling mais impiedoso. O mais frio. O mais cruel.
Aquele que, um ano atrás, jogou o próprio moletom em mim como se eu fosse algo sujo que precisasse ser coberto, as palavras pingando nojo enquanto a dominância do seu lobo esmagava meus ossos.
Viro de costas e vou embora. Não corro, pois correr desperta o instinto de caça nos lobos, uma lição que aprendi da pior maneira possível, mas também não enrolo.
Maya me encontra no meio do caminho, os olhos escuros brilhando de preocupação.
— Você está bem?
— Estou. — A mentira tem um gosto amargo.
Ela enlaça o braço no meu e me guia até a nossa sala. O professor Albright já começou a aula, mas Maya tem essa habilidade mágica de criar distrações. Ela derruba acidentalmente a garrafa de água da mesa assim que entramos, e a atenção do professor se volta para o barulho.
Deslizamos para nossas cadeiras.
Eu devia prestar atenção na palestra sobre a Guerra Civil. Devia estar fazendo anotações. Mas meu cérebro faz o que sempre faz: se divide em mil direções diferentes.
"TDAH desatento", disse o médico quando eu tinha doze anos. "Ela vai sonhar acordada com frequência. Terá problemas de organização. Dificuldade de focar nas tarefas."
O que ele não disse: "Ela vai passar a infância inteira sendo jogada de um lar adotivo para outro porque sua mente caótica a torna difícil demais de ser amada para sempre."
O que ele não disse: "Ela encontrará uma pessoa, Eleanor Vance, que olhará além da bagunça e a escolherá mesmo assim. Alguém que lhe dará dez anos de estabilidade antes que a vida a arranque de perto dela."
O que ele não disse: "Ela carregará essa perda como uma pedra no peito, sempre buscando aquela sensação de lar num mundo que não a quer."
Conheci a Maya na terapia. Sessões em grupo para adolescentes que sobreviveram àquele tipo muito específico de trauma do sistema de adoção. Ela entrou na sala com uma atitude que cortaria vidro e uma boca que não sabia a hora de parar. Nos tornamos amigas do jeito que as coisas quebradas costumam fazer: reconhecendo as fraturas uma na outra.
Ela é o único motivo de eu ainda estar aqui. Ainda lutando.
Ainda sobrevivendo.
A aula termina. Guardamos nossas coisas em silêncio, mas consigo sentir a preocupação de Maya irradiando dela feito calor.
Chegamos ao seu Honda surrado no estacionamento antes que ela abra a boca.
— Ele falou alguma coisa para você? — Os dedos dela batucam no volante. — Aquele imbecil metido.
Balanço a cabeça, mas não é o bastante. Maya me conhece bem demais.
— Elara. — Ela se vira de frente para mim. — Fala comigo.
E, de repente, estou de volta àquele dia. Um ano atrás. O refeitório do campus.
A bandeja escorrega das minhas mãos em câmera lenta.
Vejo a coisa toda acontecer, o pote de iogurte virando, a trajetória que vai fazer, mas meu cérebro caótico não consegue enviar o comando rápido o bastante para o meu corpo agarrá-lo.
O iogurte respinga na jaqueta de time do Brock Landon. Na calça jeans dele.
E no jeans caro de Kian Sterling.
O refeitório mergulha num silêncio absoluto.
O rosto de Brock se contorce de ódio. Ele é um lobo Beta, o quarterback estrela do time, e seu ego é ainda maior que seu território.
— Sua vadia idiota!
Antes que eu consiga pedir desculpas, antes mesmo que eu consiga respirar, ele pega a própria garrafa de água.
O líquido gelado me encharca dos pés à cabeça. Molha minha camiseta branca, grudando o tecido na minha pele. O refeitório explode em risadas, e eu só quero sumir. Quero afundar no chão e nunca mais voltar à superfície.
Através da humilhação, escuto um rosnado baixo, perigoso.
Kian Sterling se levanta. O lobo dele está bem próximo da superfície. Consigo ver isso pela forma como seus músculos se contraem, pelo jeito que seus olhos brilham com aquele prateado específico que significa violência.
Por um segundo estúpido, acho que ele vai me defender.
Mas então ele olha para a própria calça, para o iogurte manchando o tecido caro, e sua expressão endurece em algo glacial.
Num movimento fluido, ele tira o moletom preto e o joga na minha direção. A blusa bate no meu peito e eu a seguro por puro instinto.
— Foi você quem fez essa merda! — Sua voz é letal. — Toma, já foi estragado por você de qualquer jeito. Vai se cobrir.
As palavras me atingem como golpes físicos.
— De nada — acrescenta ele, o tom pingando repulsa.
E vai embora, me deixando ali de pé com as roupas encharcadas, apertando o moletom dele como se fosse algum tipo de perdão, e não a forma mais cruel de rejeição que já experimentei na vida.
— Elara. — A voz de Maya me puxa de volta ao presente. — Você está fazendo isso de novo.
Olho para baixo. Meu polegar está em carne viva no lugar onde eu estava raspando.
— Queima isso — diz Maya, firme. — Esse maldito moletom. Queima, enterra, sei lá. Só se livra dele.
Eu tinha me livrado. Eventualmente. Mas a lembrança do nojo dele, da dominância do seu lobo me esmagando enquanto todos assistiam... isso eu não consigo queimar.
— Cento e cinquenta e cinco dias — sussurro.
— O quê?
— Cento e cinquenta e cinco dias para a formatura. Até que eu possa ir embora deste inferno e nunca mais olhar para trás.
A expressão de Maya suaviza. Ela aperta minha mão.
— Cento e cinquenta e cinco dias. Nós conseguimos sobreviver por cento e cinquenta e cinco dias.
Eu quero acreditar nela.
Mas enquanto encaro o campus pela janela, os lobos que o comandam, os humanos que sobrevivem a ele, a hierarquia cuidadosa que nos mantém nos nossos devidos lugares, me pergunto se sobreviver é realmente a mesma coisa que viver.
Ou se sou apenas o coelho, correndo, correndo e correndo, torcendo para que os lobos não me alcancem.
Neueste Kapitel
Três meses depois, atravesso o palco na minha formatura.
Maya grita na plateia.
Duas semanas depois, a universidade divulga as suas conclusões oficiais.
Brock Landon: exp
A paz dura exatamente três dias.
Então, Helena entra em ação.
As consequências são rápidas e brutais.
Em menos de quarenta e oito horas, Brock Landon é







