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A Última Primeira Neve

A Última Primeira Neve

Letzte Aktualisierung: 2026-04-02 10:03:39
By: AncientOracle
Abgeschlossen
Sprache:  Português0+
4.2
21 Bewertung
11
Kapitel
84.1k
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Bericht

Zusammenfassung

Peyton e Winter s?o vizinhos de porta no colégio — ele, frio e distante para todos, mas atento apenas a ela. Entre chás de pêssego esquecidos na mesa e problemas de cálculo resolvidos lado a lado, o silêncio entre os dois guarda mais do que palavras. Uma história suave sobre o primeiro amor que cresce devagar, como neve que cobre tudo antes que alguém perceba.


Kapitel1

O intervalo de dez minutos entre as aulas transformava a sala em um caos barulhento.

Hina veio correndo de fora e se jogou na cadeira ao lado de Peyton, batendo uma garrafa de chá gelado no canto da mesa dela.

— Ufa, estou morta. — Hina deu tapinhas no próprio peito para retomar o fôlego. — Pey, o seu garoto, o Winter, pediu para te entregar isso.

Peyton estava curvada sobre o caderno, concentrada em organizar suas anotações. Ela ergueu os olhos para a garrafa — chá gelado Arizona, sabor pêssego. O de sempre.

— Obrigada. — Ela girou a tampa e deu um gole.

Hina apoiou o queixo na mão, observando Peyton por um instante antes de baixar o tom de voz.

— Ei, você não vai lá dar uma olhada nela? A garota nova que entrou na sala do Winter. Eu acabei de passar pelo corredor deles e, meu Deus, Peyton... a pele dela, as pernas! Ouvi dizer que ela é da área de artes, mas mudou para o currículo de exatas para tentar recuperar o conteúdo acadêmico.

Peyton deu outro gole no chá.

— Sem tempo. Ainda não terminei de resolver esses exercícios.

— Você é vizinha de porta do cara. Não tem medo de ele se apaixonar por outra? — Hina cutucou o braço dela e logo balançou a cabeça. — Bem, para ser sincera, conhecendo a personalidade do Winter, acho difícil. Durante a apresentação dela hoje de manhã, metade dos meninos não conseguia tirar os olhos da garota. O Winter nem sequer levantou a cabeça.

Peyton não respondeu. Apenas continuou folheando o caderno.

As pontas de seus dedos roçavam o papel, produzindo um som suave e rítmico.

Após o sinal da saída, Peyton colocou a mochila no ombro e saiu com Winter, que já a esperava junto à porta.

O sol de outono alongava as sombras dos dois sobre o pavimento. As nogueiras do campus já estavam ficando douradas, e as folhas caíam em redemoinhos suaves a cada sopro de vento.

Eles mal haviam chegado aos armários de sapatos quando uma fragrância intensa de rosas pairou no ar.

Uma garota de cabelos longos se posicionou bem na frente de Winter.

Olhos brilhantes, sorriso radiante.

— Winter, o pessoal vai dar uma festa de boas-vindas para mim hoje à noite. Quer ir?

Winter recuou um passo, mantendo a distância.

— Desculpe. Estou ocupado.

Ele desviou dela e continuou caminhando.

Alguns passos depois, ele parou e olhou para trás.

— Summers. Vamos.

— Ah, sim.

Peyton desviou o olhar da garota e o seguiu.

Os olhos da aluna nova se fixaram em Peyton por um segundo — um olhar de curiosidade, quase como se estivesse fazendo uma avaliação.

No caminho para casa, os dois discutiram os problemas mais difíceis do dia. Winter tirou uma folha de cálculo da mochila e apontou para uma questão complexa de funções, explicando a lógica da solução.

Quando chegaram ao prédio de Peyton, Winter parou de repente.

— Summers.

Peyton se virou.

A luz fraca do poste lançava um brilho suave sobre o rosto dele. Por uma vez, sua voz não soou fria.

— Vamos focar no MIT. Juntos.

Peyton piscou, surpresa, e então sorriu.

— Combinado.

Na manhã seguinte, Peyton foi até a sala de Winter para discutir uma lista de exercícios.

Ao parar perto da janela, viu uma garota sentada ao contrário na mesa de Winter, conversando animadamente com ele.

Era a aluna nova.

Winter franziu a testa.

— Sierra, volte para o seu lugar.

Sierra resmungou algo e virou o rosto, encontrando os olhos de Peyton.

O sorriso dela aumentou, mas ela apenas lançou um olhar rápido para Peyton antes de se voltar novamente para Winter, mudando o tom para uma manha brincalhona.

— Você vive comprando bebidas. São tão boas assim? Compra uma para mim amanhã também?

— Compre a sua.

Sierra fez um biquinho.

— Que belo representante de classe você me saiu. Nem um pouco atencioso com os colegas.

Peyton deu leves batidas no batente da janela.

Winter olhou para cima e passou a folha de exercícios pelo vidro. Os dois começaram a discutir os métodos de resolução ali mesmo, separados pela vidraça.

No meio da conversa, o olhar de Winter disparou subitamente por cima do ombro de Peyton, fixando-se em algo atrás dela.

Uma tempestade parecia se formar em seus olhos, geralmente tão calmos.

Peyton não se virou. Ela ouviu uma risada cristalina ecoar às suas costas.

Era Sierra, rindo com alguns rapazes sobre a comida da lanchonete.

— Sierra.

A voz de Winter cortou o ar, carregada de algo contido.

— Hum? Sim, senhor Representante? — Sierra olhou para ele com uma expressão que misturava surpresa e serenidade. — Precisa de algo?

Peyton observava Winter em silêncio. Ele parecia ter esquecido sua existência; seus olhos estavam cravados na pessoa atrás dela.

Seus dedos apertaram a folha de exercícios. O papel amassou. As veias saltaram nas costas de sua mão.

— O grupo de estudos de matemática. Você é a única que ainda não se inscreveu.

O rosto de Sierra se iluminou com a compreensão.

Antes que ela pudesse responder, o rapaz ao lado dela interveio.

— Ah, cara, a Sierra já me disse hoje cedo que ia ficar no meu grupo. Esqueci de te avisar.

Sierra lançou a ele um olhar de falsa reprovação.

— E eu achei que você já tinha falado!

— Esqueci, esqueci. Foi mal, haha.

Eles se afastaram rindo.

Winter permaneceu imóvel, os olhos escuros como o oceano por trás das lentes dos óculos.

Dias depois, Peyton voltava da aula de educação física encharcada de suor. Ao passar pelo corredor, viu Sierra encostada no corrimão, conversando com uma amiga.

Ela segurava uma garrafa de alguma bebida, rindo livremente.

Os olhos de Sierra cruzaram com os de Peyton por uma fração de segundo antes de voltarem ao que ela fazia. Com total indiferença, ela estendeu a garrafa para a amiga.

— O Winter me deu. Não quero. Pode ficar.

A amiga brincou:

— Ui, ele não tem trazido bebidas para você a semana toda? Será que ele está...

— Ai, para. Ele é tão irritante.

Peyton não diminuiu o passo. Seu rosto permaneceu inexpressivo enquanto ela voltava para sua sala.

Sobre sua mesa estava a caixa de leite que ela não tivera tempo de pegar naquela manhã.

Ainda era sua marca favorita.

Ela a abriu, deu um gole e, em seguida, jogou-a na lixeira.

Sua colega de mesa olhou surpresa.

— Você nem terminou. Por que jogou fora?

— Estragou.

Naquela tarde, Peyton foi embora cedo. Não esperou por Winter.

No dia seguinte, eles se cruzaram no elevador.

Winter apenas perguntou:

— Teve muita lição ontem? Por que saiu cedo?

Peyton fixou os olhos nos números do painel do elevador subindo.

— Hum-rum.

Houve silêncio por alguns segundos.

— Minha pele anda meio ruim ultimamente. Não compre mais bebidas para mim.

Winter não disse nada.

Peyton podia sentir o peso do olhar dele sobre ela.

Quando as portas do elevador finalmente se abriram, ela ouviu a resposta seca.

— Entendi.

Certo dia, Hina debruçou-se sobre a mesa de Peyton com os olhos brilhando.

— Pey! Você soube? No concerto de Ano Novo, o Winter e a Sierra vão fazer um dueto de piano!

Peyton estava resolvendo um problema de matemática. Sua caneta parou no meio do papel.

— A quatro mãos! Eles estão praticando juntos há semanas. Dizem que a sintonia deles é incrível.

— Entendi.

Hina se aproximou mais.

— Você vai lá assistir?

— Vou ver.

Peyton acabou indo.

O auditório da escola estava decorado com esmero — fios de luzes e guirlandas de pinheiro pendiam pelas paredes. O ar cheirava a cidra quente e castanhas assadas.

Peyton e Hina encontraram assentos nos fundos.

As luzes se apagaram.

O auditório explodiu em assobios e gritos.

— Winter!

— Sierra Snow!

Os nomes eram repetidos ritmicamente, como ondas.

O refletor iluminou o centro do palco.

Havia dois pianos de cauda, um ao lado do outro. Winter e Sierra ocuparam seus lugares. Ele vestia um terno preto. Ela, um vestido branco esvoaçante.

Sob as luzes, o perfil de ambos era nítido e cortante.

Sierra inclinou-se para o microfone com um sorriso travesso.

— Silêncio agora, pessoal. Nossa apresentação vai começar.

O auditório emudeceu.

A música começou.

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