Juramento da Lua de Sangue
Synopsis
A herdeira alfa Selene está presa pelo dever a se casar com um conquistador cruel. Em seu último ato de liberdade, ela convoca o único lobo que mais a despreza: Kaelen, o Alfa exilado cujo mundo ela assistiu queimar. Ele vem por vingan?a. Ela busca um fechamento. Mas uma profecia esquecida e um poder oculto acendem entre eles um vínculo irresistível de companheiros. Com o dia do casamento se aproximando e uma guerra no horizonte, enfrentam uma escolha: honrar seus votos com as alcateias, ou se render a um destino escrito na lua de sangue.
Chapter1
O aroma de terra úmida e pinho era a única verdade em que Selene Sterling ainda confiava. O cheiro subia do vale, logo abaixo da Mansão Silverwood, um perfume inebriante de força e permanência que parecia mofar da gaiola dourada que se tornara sua vida. Da varanda de pedra de seus aposentos, ela observava os últimos vestígios do crepúsculo se esvaírem, deixando o vasto território da Alcatéia Sterling mergulhado em tons de índigo e carvão.
Paz. Era uma mercadoria frágil, comprada com sangue e mantida por uma vigilância implacável. E logo, seria assegurada por ela.
Uma folha de pergaminho repousava sobre a mesa de ferro batido ao seu lado; a caligrafia elegante era o testemunho da aliança que definiria seu futuro. Tratava-se do aceite formal de presença do Alfa Marcus Valerius, seu pretendente. A Aliança de Acasalamento uniria as duas alcatéias mais poderosas da região, criando uma força inabalável contra as facções de lobos nômades que assolavam suas fronteiras. Era um movimento estratégico sólido. Seu dever. Seu pai, o Alfa Alaric Sterling, chamara aquilo de uma jogada diplomática de mestre.
Selene chamava de sentença.
Seus dedos traçaram o selo dos Valerius — a cabeça de um lobo rosnando empalada em uma lança. Era um símbolo de dominação, não de parceria. Marcus era um lobo de imenso poder, mas seus olhos carregavam o brilho gélido de um conquistador, não de um companheiro. Quando ele olhava para ela, não via uma parceira, mas um prêmio. A joia final e reluzente para sua coroa.
Ela pegou os outros dois pergaminhos que estavam sob o dele. O velino era mais antigo, a tinta levemente desbotada. Sua respiração falhou. Não precisava desenrolá-los para saber de quem eram. A memória olfativa de quem os enviara estava marcada em sua alma.
Lucian Thorne. Outrora o Beta de maior confiança de Kael, agora Alfa de uma pequena alcatéia de fronteira. Sua resposta fora curta, formal. A réplica de um fantasma.
Elara Vale. A mulher que estivera no centro da tempestade. Sua escrita era elegante e distante, um sussurro de uma vida que Selene tentara esquecer.
E então havia aquele que ela não recebera, aquele cujo silêncio gritava mais alto que qualquer palavra. Mas ela sabia que ele viria. Ele tinha que vir. A convocação era um desafio que ele seria orgulhoso demais para ignorar.
Kaelen Nightshade.
O nome dele era um estilhaço de gelo em seu coração. Seis anos. Seis anos desde que a Grande Traição estilhaçara o mundo deles. Seis anos desde a última vez que vira aqueles olhos verde-floresta que um dia abrigaram um universo de risos compartilhados, agora provavelmente congelados por uma tundra de ódio. Ela se lembrava daquela noite com uma clareza nauseante: o caos, os gritos, seu próprio momento de hesitação paralisante que reprisara mil vezes em sua mente. Um momento de fraqueza que ela culpava por tudo o que se seguiu.
Fora ela quem enviara as convocações para aquele encontro de um mês que precederia a cerimônia. Era seu último e desesperado lance. Não para reatar amizades, mas para forçar um acerto de contas. Para desvendar os fios emaranhados do passado e, talvez, negociar uma paz duradoura antes de se acorrentar a Marcus para sempre. Era uma missão de tolo, a prece desesperada de uma estrategista.
Um lobo solitário uivou à distância, um som longo e melancólico que ecoou pelo vale. A vibração atingiu os ossos de Selene, um chamado primordial para uma parte sua que ela mantinha trancada. A parte que se lembrava de correr livre e selvagem com um garoto cujo riso era o único juramento que ela jamais quisera fazer.
Ela fechou os olhos, deixando o aroma de pinho e terra preencher seus pulmões.
— Que ele venha — sussurrou para a escuridão que avançava. — Que os fantasmas retornem. Isso termina agora.
Pela sua alcatéia. Pelo dever. Pela gaiola dourada na qual estava prestes a se trancar.
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