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Laços de Vingança

Laços de Vingança

Last Updated: 2026-03-29 05:48:06
Language:  Português0+
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Synopsis

Após uma década no exílio, o Alfa Kaelen Blackfang retorna para reconquistar seu reino roubado e acertar uma dívida de sangue. Sua arma n?o é a guerra, mas uma manobra política cruel: ele exige a filha de seu inimigo como tributo. Sacrificada pelo próprio pai, a Princesa Elara Silvermoon torna-se a Luna relutante do predador que destruiu seu mundo, vinculada a ele numa uni?o de puro ódio. Mas seu vínculo for?ado desenterra segredos muito mais perigosos do que sua animosidade. Mentiras soterradas sobre uma trai??o passada come?am a emergir, desafiando tudo o que acreditavam saber. De inimigos amargos presos numa gaiola dourada a aliados relutantes contra um inimigo comum, dois cora??es em guerra conseguir?o forjar uma nova alian?a — ou construir?o seu império sobre as cinzas de tudo que já conheceram?


Chapter1

O vento que soprava pelo vale trazia consigo o cheiro de fantasmas.

Kaelen Blackfang estava parado no precipício da crista, uma figura solitária envolta em sombras e lembranças. Abaixo dele, o território que outrora fora seu por direito de nascimento estendia-se sob a luz fria de uma lua minguante. Agora, aquelas terras eram chamadas de domínio Silvermoon, mas Kael conhecia seu verdadeiro nome. Ele podia senti-lo no ar, um gosto amargo de uma história roubada. Aquele era o Vale Blackfang.

Dez anos. Uma década inteira passada no exílio, forjando uma alcateia despedaçada em uma arma, temperando seu luto até transformá-lo em uma lâmina de pura e gélida vingança. Ele era apenas um garoto quando fugiu, com o sangue de seu pai ainda quente no solo e os gritos de seus companheiros ecoando em seus ouvidos. Ele assistira a Alaric Silvermoon, o irmão de juramento de seu pai e seu aliado mais confiável, liderar o massacre. Uma traição tão profunda que estilhaçou o mundo deles.

Agora, Kaelen não era mais um garoto. Era um Alfa, forjado no fogo da perda e lapidado por um propósito único e ardente. Ele havia retornado.

— Os batedores relatam que as patrulhas deles são disciplinadas e as fronteiras estão seguras — murmurou uma voz grave ao seu lado. Lucian, seu irmão mais velho e Beta, materializou-se das sombras. Sua presença era um contraponto firme e calmo à intensidade contida de Kaelen. — Alaric acomodou-se em seu reino roubado.

— O conforto é uma fraqueza — rosnou Kaelen, sem desviar os olhos das luzes cintilantes do assentamento Silvermoon logo abaixo. — Ele esqueceu como é a sensação de ser caçado. Estou aqui para lembrá-lo.

Lucian suspirou, o som saindo como um leve áspero contra o vento cortante. — Irmão, nossa alcateia é forte, mas eles estão cansados da guerra. Um ataque direto...

— Não haverá guerra — interrompeu Kaelen, sua voz fria como gelo quebrado. — A guerra é para iguais. O que planejei para Alaric não é uma guerra. É um acerto de contas. Não vou apenas retomar nossas terras. Vou desmantelar a vida dele, peça por peça, dolorosamente. Tirarei dele o que ele mais valoriza, e ele assistirá, impotente, enquanto seu mundo vira cinzas.

Lucian silenciou-se, reconhecendo a determinação inabalável no tom de seu irmão. Por dez anos, esse juramento fora o sustento de Kaelen. Era a única coisa que o impedira de sucumbir.

Kaelen deu as costas à vista, seu manto preto ondulando ao redor do corpo como uma tempestade que se forma. — Convoque o conselho de guerra. É hora de Alaric Silvermoon pagar sua dívida.

Sob a luz da lua nova, Kaelen Blackfang apresentou-se diante de sua alcateia. Eram uma força endurecida e leal, lobos que o seguiram desde as cinzas da extinção. Seus olhos, brilhando na escuridão, estavam fixos nele, à espera.

— Por dez anos, vivemos nas sombras, lambendo nossas feridas, lembrando o fedor da traição dos Silvermoon! — A voz de Kaelen ecoou sobre os lobos reunidos, cada palavra soando como o golpe de um martelo sobre uma dor compartilhada. — Esta noite, lembraremos a eles que as presas de um lobo Blackfang não servem apenas para exibição. Golpearemos o coração deles, não com um exército, mas com um desafio que não poderão ignorar.

Um rosnado baixo e faminto percorreu a alcateia. Lucian permanecia ao lado do irmão, com o semblante sombrio. O plano era audacioso, perigoso e inteiramente a cara de Kaelen.

— Alaric tem uma filha — continuou Kaelen, sua voz baixando para uma calma conspiratória. — Elara. Seu tesouro mais precioso. A joia da alcateia Silvermoon. Amanhã, faremos as fronteiras deles sangrarem. Mostraremos força suficiente para que temam uma guerra em grande escala. E quando ele vier à mesa de negociações, implorando por uma trégua, eu exigirei sua joia.

Ele fez uma pausa, deixando que o peso de suas palavras se assentasse. — Ele me entregará a filha. Ela será ligada a mim, o Alfa da alcateia que ela ajudou a destruir. E o pai dela assistirá enquanto sua amada criança se torna o símbolo vivo de sua humilhação. Uma prisioneira em minha toca. É assim, meus irmãos e irmãs, que nossa vingança começa.

Um uivo uníssono e feroz irrompeu da alcateia, um grito de fúria contida por muito tempo que finalmente era libertado. Era uma promessa de dor, uma declaração de intenção.

Lucian observava o irmão com um lampejo de inquietação no coração. O plano era brilhante em sua crueldade. Mas Kaelen estava brincando com um fogo mais antigo e imprevisível do que as guerras entre alcateias. Ele estava invocando o rito sagrado de um laço de sangue, distorcendo-o em uma ferramenta de vingança. Coisas assim costumam se voltar contra seus mestres.

Mas, ao olhar para o fogo frio e impiedoso nos olhos de Kaelen, Lucian soube que não havia volta. O Alfa havia retornado, e ele cobraria seu tributo de sangue, não importasse o preço.

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